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Uma invasão pela direita

Todos nós ficamos perplexos ao ser divulgado ao vivo, no dia 16 de novembro, pela imprensa brasileira, a invasão do Plenário da Câmara dos Deputados por um grupo de manifestantes. A perplexidade se deu não pela invasão do Plenário, mas sim pela forma e do jeito que ela aconteceu. Sabemos bem como funciona a segurança do Congresso Nacional como um todo, e quando vem a ordem para fechar as entradas, como tem acontecido freqüentemente, principalmente nesses últimos meses, posso assegurar que fica muito difícil a entrada de manifestantes. Estivemos em Brasília participando de varias manifestações, principalmente nas últimas contra o PLP 257 e contra a PEC 241, e nas duas ocasiões encontramos todas as dificuldades possíveis para conseguir entrar naquela que é a Casa do Povo – só no nome ela é do povo, mas de fato o povo fica é do lado de fora, execrado das decisões tomadas lá dentro (e os nossos elogios aos poucos deputados e deputadas, senadores e senadoras que votam a favor do povo). Então, como esses manifestantes conseguiram entrar no Plenário com tamanha facilidade? A partir desse fato, a nossa orelha começa a coçar e começamos a dar asas a nossa imaginação e damos início à montagem desse quebra-cabeça.

Ficou muito estranho aquele grupo de pessoas conseguindo entrar com tanta facilidade. E o mais estranho: gritando palavras de ordem e frases contra aquilo que de mais precioso tem um estado social de direito, a Democracia. Os manifestantes gritavam e pediam pela intervenção militar dentro de um Parlamento. Meu Deus! Que tamanha incoerência. Que tamanha ignorância. Será que aqueles imbecis não viveram o período da Ditadura Militar no Brasil? Será que eles não se lembram de um passado não tão distante, onde nós não tínhamos o direito de votar para presidente da República, governador e prefeito de capitais? Será que eles não se lembram que foi a própria Ditadura Militar que fechou o Congresso Nacional, onde eles estavam? Será que eles não se lembraram de tantas crueldades e crimes cometidos contra a vida de muitos brasileiros e brasileiras?

Acho que não. Considero que esses imbecis, verdadeiras massas de manobras da direita brasileira, mais se parecem com, numa perspectiva histórica, aqueles burgueses de 1964 que promoveram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade e os atos similares da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, da Família e da Propriedade), que aguçaram, cutucaram e empurraram os militares para o golpe.

Na minha terra tem um ditado que diz o seguinte: “Pelo tocado do carro nós já sabemos o que vem dentro”. Na minha avaliação, a extrema direita desse país, aliada com outros segmentos conservadores da sociedade brasileira, já sabe que o confronto com os movimentos sociais, populares e sindicatos será inevitável diante das propostas impopulares como a PL 55 e as reformas da Previdência e Trabalhista, e para justificar medidas que eles tomarão, para se encastelarem e se protegerem dentro do Plenário, e com isso passar o rolo compressor e votar tudo contra o povo sem serem incomodados. `

Essa invasão no Plenário da Câmara, que considero uma invasão pela direita, é um artifício que será usado contra o povo. Quem vive verá!

Precisamos tomar cuidado e defender a Democracia firmemente, pois nesses tempos de “bolsonaristas” inflamados, de neoliberais determinados e de xiitas confusos não podemos ter boas perspectivas de futuro.

Nosso repúdio a atos de manifestantes de direita que ameaçam ou venham a ameaçar a instabilidade política e a Democracia no Brasil.

Cosme Nogueira

Presidente da FESERP-MG

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