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É preciso falar a língua dos homens

        No momento em que surgiram as primeiras manifestações no Brasil, o motivo principal para justificar as adesões foi o passe livre, principalmente em São Paulo – local onde tudo começou. O governo voltava todos os seus olhares para a Copa das Confederações, pois grandes investimentos foram feitos em varias regiões do pais, principalmente na construção e reformas de estádios , tudo com o objetivo de mostrar para o mundo que o Brasil é o pais do futebol, alem é claro de ser uma preparação para a Copa do Mundo de 2014. Nada poderia dar errado, mas o que o governo e classe política se esqueceram foi de combinar primeiro com o povo – e se isto fosse feito as coisas poderiam ter sido bem diferentes.

            O que era uma manifestação isolada de estudantes reivindicando o passe livre e a diminuição da tarifa e melhorias na mobilidade urbana, passou a ser um discurso nacional e, num piscar de olhos, milhões de brasileiros estavam nas ruas, protestando sobre tudo, cantando o bordão de que “o gigante acordou”. Era possível nas manifestações registrar todos os gritos e todas as vozes em busca de ética e honestidade na política, pela saúde e educação, mobilidade urbana, respeito aos aposentados e pensionistas, reforma agrária, igualdade racial, fim de discriminações de qualquer natureza, por uma política salarial decente, respeito aos profissionais de imprensa e pela soberania nacional.

          Não tinha como conter o descontentamento nacional. As pessoas falavam o tempo todo e em todos os lugares: como era possível o governo gastar tanto dinheiro em estádios de futebol ao mesmo tempo em que as pessoas estavam morrendo por falta de atendimento nos hospitais públicos do país, que estão sucateados e não oferecem aos profissionais da saúde as condições mínimas de trabalho; Como pode o povo sofrer tanto e os políticos continuarem com seus privilégios? Como viver em um país onde a educação publica vai de mal a pior?

        Os episódios foram um choque na percepção daqueles que consideravam o povo brasileiro como “Zé povinho”, que as reações eram coisas do passado e que a memória das pessoas estava congelada.  Até a oposição, aquele pessoal que já esteve no governo, quis se aproveitar, mas nada conseguiu. Ninguém se esqueceu do entreguismo do passado recente – e não restou a eles também enfiaram a viola no saco e se esconderam.

      Isto é um aviso de que os brasileiros querem e exigem mudanças, exigem cada vez mais espaços dentro das esferas de decisões dos governos, municipais, estaduais e da União. Ou seja, a sociedade civil organizada através dos conselhos deliberativos quer ser ouvida, respeitada, consultada sobre a elaboração de políticas publicas.

      Para os nossos governantes e a classe política como um todo fica a lição que dinheiro público não é capim. É preciso falar a língua dos homens. É preciso saber o que pensam as pessoas. É preciso sair dos gabinetes e ir para as ruas, se submeter ao papel de ouvidoria.

      O movimento sindical também precisa fazer uma avaliação do seu papel dentro do contesto político da sociedade brasileira. Estamos presenciando uma atrofia de pensamentos e atitudes no meio sindical, falsos líderes se apoderam de entidades e se estabelecem como verdadeiros ditadores, mergulhados na inércia e se sustentando de mecanismos antiéticos.

      Se os atores principais do cenário político brasileiro, sejam eles governantes ou não, se recusarem de mudar as suas atitudes, eles vão amargar e lamentar o leite derramado nas próximas e futuras eleições.

       Feliz da nação que o povo tem coragem de ir às ruas e feliz daquele que entende o recado de um povo.

Cosme  Nogueira

Presidente da FESERP-MG

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