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Lições de tolerância, contra a Ditadura

SAMSUNG CAMERA PICTURES(Juiz de Fora – MG) – Em um tempo em que uma parcela da sociedade – por ignorância dos fatos ou má fé – chega a pedir, nas ruas, a volta da Ditadura Militar (que levou o país às trevas por longos 21 anos – 1964 a 1985) nada como a História e o depoimento de quem viveu a História. O ex-prefeito de Juiz de Fora (1983-1988 e 1997-2004) e ex-deputado federal Tarcísio Delgado viveu esse tempo – e não só isso: contou e conta as histórias desse período sombrio. Seja em longas conversas ou em livros. Uma dessas obras impressas é “Tatuagens na Alma”, a espetacular saga dos mineiros da Mina Morro Velho de Nova Lima, processados como “subversivos perigosos” pelos agentes da Ditadura e defendidos pelo jovem advogado Tarcísio Delgado. “Só quem viveu aquela época sabe a tensão e as dificuldades de um processo dessa natureza. O Regime era de exceção, marcado pela falta de liberdades, inclusive de expressão”, diz o ex-prefeito. Foram cinco anos e meio de suspense e amargura para os trabalhadores, já que o julgamento só foi realizado em setembro de 1969, e todo o processo continha onze grossos volumes – cujos detalhes, ilustrações e percepções (algumas buscadas no fundo da memória) estão ao longo das 248 páginas de “Tatuagens na Alma”.

Os meandros do livro e também muitas histórias forma revividas por Tarcísio Delgado durante recente encontro com o presidente da FESERP-MG, Cosme Nogueira. Por cerca de duas horas, o ex-prefeito discorreu sobre o seu PMDB (partido que ajudou a fundar – e queria ver de outra forma), a falta de ética no país e nas relações contemporâneas, corrupção, rumos do Governo, perspectivas para o país e para Juiz de Fora (inclusive as eleições municipais do ano que vem) – sem esquecer a sua infância e as dificuldades de toda a natureza durante a sua juventude.  Mas, à parte a aula e a análise sensata e dialética de todos os assuntos, Tarcísio Delgado deixou transparecer um pouco de mágoa com a cidade que administrou por 14 anos, justamente no ponto do resgate da memória de uma época difícil. “O livro (Tatuagens na Alma) é referência histórica em várias cidades, não só em Nova Lima, e fonte de consulta nas Comissões da Verdade estaduais (grupos de trabalho criados em várias unidades da Federação para resgatar violações aos direitos humanos durante a Ditadura Militar), mas aqui em Juiz de Fora infelizmente ele passou despercebido. Uma pena. Digo isso não por vaidade pessoal, mas sim por uma questão de preocupação com a memória”.

Cosme Nogueira concorda com esse diagnóstico. “O livro é, além de tudo, uma lição de vida e conta um gesto sublime de um jovem advogado. Conhecer histórias como essa é que vão fazer as futuras gerações a rechaçarem qualquer possibilidade de voltarmos às trevas de uma Ditadura”, afirma o presidente da FESERP-MG.

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